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Hepatites D e E: Ameaças silenciosas no Brasil

Infecções por hepatites D e E, menos comuns mas com potencial grave, exigem vigilância e prevenção no país.

The Health Brief 20 Aug 2026
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Menos conhecidas que as hepatites A, B e C, as infecções pelos vírus D e E também circulam em território brasileiro e representam um desafio crescente para a saúde pública, exigindo atenção e medidas preventivas eficazes.

Apesar de frequentemente ofuscadas pela maior prevalência e conhecimento público das hepatites A, B e C, as infecções pelos vírus D e E representam um cenário de preocupação crescente no Brasil. Estes patógenos, embora menos discutidos, possuem características que podem levar a quadros clínicos graves e complicações sérias, demandando um olhar atento por parte das autoridades de saúde e da população em geral. A hepatite D, em particular, é peculiar por necessitar da presença do vírus da hepatite B para se replicar, atuando como um "vírus satélite" que agrava a doença hepática já instalada. Já a hepatite E, embora em muitos casos autolimitada, pode evoluir para formas crônicas ou fulminantes, especialmente em indivíduos com imunossupressão.

A hepatite D (HDV) é um agente viral que só consegue infectar o fígado na presença do vírus da hepatite B (HBV). Essa coinfeccção, ou superinfecção, leva a uma progressão mais rápida da doença hepática, com maior risco de desenvolvimento de cirrose e carcinoma hepatocelular. No Brasil, a HDV tem sido detectada em diversas regiões, com particularidades epidemiológicas que ainda estão sendo estudadas. A transmissão ocorre principalmente por via parenteral (contato com sangue contaminado) e sexual, similar à hepatite B. A falta de conhecimento sobre a hepatite D contribui para diagnósticos tardios e para a dificuldade em estabelecer estratégias de controle eficazes. A vacinação contra a hepatite B é, portanto, a principal forma de prevenção indireta contra a hepatite D, uma vez que impede a infecção primária pelo HBV.

Por outro lado, a hepatite E (HEV) é transmitida predominantemente pela via fecal-oral, através do consumo de água ou alimentos contaminados com fezes de pessoas ou animais infectados. Em países desenvolvidos, a infecção por HEV é frequentemente associada ao consumo de carne de porco mal cozida. No Brasil, a transmissão endêmica está mais ligada à contaminação de água em áreas com saneamento básico precário. Existem diferentes genótipos do vírus da hepatite E, sendo o genótipo 3 o mais comum em humanos no país. Embora a maioria dos casos seja autolimitada, com sintomas como icterícia, fadiga e dor abdominal, a infecção pode se tornar crônica em pacientes transplantados ou com outras condições de imunossupressão, levando a fibrose hepática e cirrose. Casos de hepatite fulminante, uma forma rara e grave da doença, também podem ocorrer.

A falta de testes diagnósticos específicos e amplamente disponíveis para hepatite D e E no sistema público de saúde pode dificultar a identificação de casos e o monitoramento epidemiológico. A conscientização sobre os modos de transmissão e os sintomas dessas hepatites é fundamental para que a população busque atendimento médico e para que os profissionais de saúde estejam atentos ao diagnóstico diferencial. A prevenção da hepatite E passa pelo acesso à água potável, saneamento básico adequado e boas práticas de higiene, além do cozimento completo de carnes. Para a hepatite D, a vacinação contra a hepatite B é a estratégia mais importante.

A inclusão dessas hepatites nas discussões sobre saúde pública e em programas de rastreamento e prevenção é um passo crucial. A pesquisa contínua para entender a epidemiologia local, desenvolver métodos diagnósticos mais acessíveis e avaliar a eficácia de potenciais tratamentos é essencial para mitigar o impacto dessas doenças no Brasil. A vigilância epidemiológica deve ser fortalecida para mapear a circulação dos vírus D e E, identificar populações de risco e direcionar ações de saúde de forma mais assertiva. O combate a essas infecções menos conhecidas, mas igualmente perigosas, exige um esforço conjunto da sociedade e do poder público.

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